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Maria Rita e o filho Antonio Baldini: a emoção de 'Romaria' e a continuidade de um legado

By SingArena Editorial · · Music News

Durante a turnê 'Redescobrir vol. 2', no Rio de Janeiro, Antonio Baldini, filho de Maria Rita, emocionou-se até as lágrimas ao som de 'Romaria', clássico eternizado por Elis Regina.

Um momento de rara beleza no palco do Vivo Rio

No último sábado, dia 10, o palco da casa de shows Vivo Rio, no Rio de Janeiro, foi cenário de um daqueles instantes que a música ao vivo tem o poder de criar: a comoção genuína, o afeto que transborda e a memória que se materializa em som. Durante a apresentação da turnê Redescobrir vol. 2, a cantora Maria Rita viveu um momento de profunda emoção ao interpretar Romaria, canção de Renato Teixeira que se tornou um clássico absoluto da MPB na voz de sua mãe, Elis Regina.

O que tornou a noite ainda mais especial foi a presença de Antonio Baldini, filho de Maria Rita com o cineasta Marcus Baldini, que integra a banda da mãe nesta turnê. Aos 22 anos, o jovem percussionista e violonista não conseguiu conter as lágrimas enquanto a mãe entoava a canção à capela, cercada pelos músicos e acompanhada em coro pela plateia. Era o momento dos agradecimentos, quando a artista puxou os versos que falam de fé, de terra e de devoção — e o filho, tomado pela intensidade do instante, caiu no choro, roubando a cena de forma comovente.

A turnê que busca o colo da mãe

Em entrevista recente ao jornal O GLOBO, Maria Rita definiu com precisão o sentido desta nova empreitada: "Essa turnê é a busca pelo colo da minha mãe". A frase resume não apenas o projeto artístico, mas também a dimensão pessoal de uma artista que, desde o início da carreira, carrega o peso — e a beleza — de ser filha de uma das maiores vozes da história da música brasileira.

Maria Rita começou a cantar profissionalmente por volta dos 24 anos, após se formar em Comunicação Social e Estudos Latino-Americanos na Universidade de Nova Iorque. A decisão de subir aos palcos veio depois de um longo período de hesitação, marcado pela consciência da responsabilidade de ser a única filha mulher de Elis Regina. Desde então, construiu uma trajetória sólida e reconhecida, com oito prêmios Grammy Latino — incluindo o de Melhor Artista Revelação, categoria que venceu como única brasileira na história —, milhões de discos vendidos e o título de uma das maiores intérpretes de sua geração.

Um legado que atravessa gerações

Em Redescobrir vol. 2, Maria Rita revisita o repertório de Elis, mas o faz com uma perspectiva que é só sua: a de filha que agora divide o palco com o próprio filho. Na mesma entrevista, ela falou sobre a alegria de ter Antonio ao seu lado: "Aquela barriga virou um músico. Fico absurdamente emocionada! Não imaginava o quanto." A artista brincou sobre o cuidado materno em meio à intensidade dos arranjos: "Quando o arranjo pega fogo e vejo a cabeça dele saindo fumaça, penso: 'Vou pedir pausa para ele respirar'. Mas não posso né..."

Maria Rita também refletiu sobre como conduz a herança familiar com os filhos, buscando transmitir a dimensão do legado de Elis sem o peso que ela própria sentiu. "Busco falar dela o máximo possível. Colocar entendimento da responsabilidade, mas não na coisa pesada que um dia tive. Mas da responsabilidade do amor, do afeto, do orgulho, do legado que a gente leva", disse. E revelou o conselho que dá ao filho: "Quer ser músico? Vou te dar a minha opinião, que não é a verdade absoluta: você se lascou: É filho da Maria Rita, neto da Elis Regina e do César Camargo Mariano. Se não usar isso a seu favor, se não ficar alerta, o que tem de malandro só esperando você botar a cabeça para fora... Vão te comer vivo. Eu não vou deixar, estou do seu lado."

Elis Regina e a força de 'Romaria'

Composta por Renato Teixeira, Romaria ganhou nova alma na voz de Elis Regina, tornando-se um hino sobre o homem do campo, a fé e a simplicidade. Os versos "Sou caipira Pirapora, Nossa Senhora de Aparecida / Ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida" atravessaram décadas e continuam a tocar gerações — agora, também, a de Antonio Baldini, que se emocionou ao ouvi-los na voz da mãe.

Ao falar sobre a dimensão de Elis, Maria Rita lembrou o impacto da morte da cantora, em 1982: "Cara, quando vovó morreu, parou a cidade de São Paulo, botaram em cima de um caminhão de bombeiro, só a Ayrton Senna teve igual. É para ter orgulho, entende?". A comparação com o piloto, também homenageado com cortejo semelhante, dá a medida do que Elis representou — e ainda representa — para o Brasil.

Música, memória e continuidade

O episódio no Vivo Rio não é apenas uma nota afetiva na carreira de Maria Rita. Ele simboliza a passagem de um legado que se recusa a ser estático. Ao colocar o filho na banda e ao revisitar o repertório da mãe, a cantora constrói uma ponte entre três gerações: Elis, ela própria e Antonio. É a música como herança viva, que se renova a cada apresentação, a cada lágrima, a cada acorde.

Para o público que lotou a casa carioca, restou a lembrança de uma noite em que a técnica impecável de Maria Rita encontrou a emoção bruta e verdadeira de um filho que, no palco, descobriu — ou confirmou — o que significa carregar o sobrenome Mariano. E para quem acompanha a trajetória da artista, fica a certeza de que Redescobrir vol. 2 é mais do que um tributo: é um exercício de amor, memória e continuidade.

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